Páginas

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A pedagogia do sofrimento

Quando Deus trabalha em nós

Josivaldo de França Pereira


O sofrimento é uma verdade tanto para o bem quanto para o mal. Satanás usa o sofrimento para destruir sem dó e sem piedade; Deus se utiliza do sofrimento para construir em nós uma nova criatura em amor.
Focalizando os filhos e as filhas de Deus em especial, podemos dizer que na dor (física e/ou da alma) o Espírito Santo trabalha em nós visando o aprimoramento da nossa fé. Na vida cristã não existe crescimento e amadurecimento na verdade sem as tribulações que nos são impostas por Deus. Os heróis e heroínas dos tempos bíblicos sofreram muito. Eles não tiveram vida mansa, assim como não tem aqueles que nos dias de hoje padecem por causa do evangelho, ou por outro motivo que só Deus sabe. Certamente ninguém sofre por acaso.
O sofrimento que vem de Deus é pedagógico e terapêutico em si mesmo. Por exemplo: ''Quando a provação impede que cometamos atos específicos de pecado, nós nos aproximamos mais do Senhor e vemos as coisas com a importância que ele lhes dá''.[1]
Você já parou para pensar que às vezes sofrerá para não cometer algum pecado grave? Paulo disse: ''E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte'' (2Co 12.7).
Deus nos ama e quer o nosso bem. O salmista, compreendendo a bondade de Deus no sofrimento, disse: ''Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos'' (Sl 119.71). O escritor sagrado mostra-se grato pelos seus sofrimentos, porque estes o levaram a uma nova intimidade com Deus, afastando-o da transgressão.
Até mesmo a respeito de Jesus é dito: ''Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu'' (Hb 5.8). “Isso não quer dizer que Jesus progrediu da desobediência para a obediência. O mesmo escritor diz que ele nunca pecou (Hb 4.15). Significa que o processo pelo qual ele demonstrou obediência cada vez mais profunda foi o sofrimento”.[2] “É digno de nota o fato de que, sempre que o exemplo de Cristo nos é apresentado nas Escrituras para nossa imitação, é seu exemplo no sofrimento que é citado”.[3]
“Uma razão primária por que muitos cristãos, hoje, passam por tempos difíceis, é que eles não querem aceitar o papel que o sofrimento desempenha em suas vidas, ou nas vidas de seus amigos e entes queridos. Por isso, não conseguem entender e aceitar a realidade da soberania de Deus. Muitos também não conseguem ver a adversidade segundo a perspectiva divina. Não conseguem ver os efeitos positivos, fortalecedores e perfeitos, provenientes das provações”.[4]

 Vi lá no VIDA ABUNDANTE


[1] John Feinberg. A pesar do sofrimento. São Paulo: Eclésia, 1998, p. 88.
[2] John Piper. Alegrem-se os povos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 94.
[3] William Fitch. Deus e o mal. São Paulo: PES, 1984, p. 60.
[4] John MacArthur, Jr. O poder do sofrimento. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 11.